sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Educação e Escorpião


Mais uma vez tristeza.
A escola Manoela, que atende Maternal e Jardim e fica localizada no Belvedere está mais uma vez sofrendo com a aparição de escorpiões.
É bem verdade que a Prefeitura realizou uma bela reforma, quando então alunos e equipe foram transferidos provisoriamente para o prédio cedido na Igreja Bom Jesus. Desde o término dessa reforma e o retorno para o ano de 2018 não tivemos notícias do aparecimento de novos escorpiões. Agora já são dois, um em sala de aula e outro em área externa.
As comunicações de praxe foram feitas e na última quarta, dia 14/11, houve uma reunião à pedido da Secretaria de Educação.
Emergencialmente os alunos serão transferidos para outra escola e, segundo a equipe da Secretaria, permanecerão juntos com os respectivos professores. Entendo correto, pois não dá para garantir segurança e assumir o risco pela integridade física de todos que frequentam a escola Manoela, especialmente porque crianças normalmente são vítimas fatais da picada pelo aracnídeo.
O que me traz incômodo é a fala dos gestores municipais, que disseram “não saber mais o que fazer”, sem que presente estivesse também a Secretaria de Saúde. Houve até a insinuação de que o prédio talvez não sirva mais para funcionar como escola, podendo ser ocupado pela Prefeitura para outras destinações. Ora, a Escola Manoela é antiga e tradicional na cidade. Muita gente estudou lá e hoje muitos netos dessas pessoas também estudam, assim como meus filhos.
Que o problema do escorpião é grave e não está restrito à cidade de Araras e ao Bairro Belvedere é fato. Basta uma pesquisa rápida pela internet que veremos uma incidência nacional. Já li muito sobre o assunto e a questão não é de extinção, mas sim de controle, ou seja, não conseguiremos acabar com o bicho. O próprio Ministério da Saúde formulou um manual, de 2009, chamado Manual de Controle de Escorpiões, sendo válida a leitura para todos os cidadãos.
Aqui, um pequeno trecho do Manual: Já nas áreas urbanas, medidas devem ser adotadas para que seja evitada a sua proliferação, por meio de ações de controle, captura (busca ativa) e manejo ambiental. Desta maneira, identificar e conhecer a distribuição de escorpiões prevalentes permitirá planejar e dimensionar as estratégias mais adequadas de controle para uma determinada área. Dessa forma, é possível realizar o serviço de conscientização da população e prevenção dos acidentes por escorpião.
E a quem compete fazer esse controle? A resposta é: ao Município, cabendo ao Estado a supervisão, acompanhamento e orientação dessas ações.
Sim, a Prefeitura reformou a escola conforme exigências da Vigilância Sanitária. E segundo consta, no período anterior ao início da reforma equipes chegaram a visitar casas na região, buscando reunir informações sobre a incidência do escorpião. Mas essas visitas foram poucas e por curtíssimo período.
Relato de uma mãe na reunião: que em sua casa, que fica na rua de cima da escola, já apareceram vários. Que chegou a levar o bicho na Saúde e que ninguém, absolutamente ninguém tomou providência, tanto que nenhuma visita foi efetuada. E outras mães também disseram o mesmo: que não houve visita. Eu mesma moro perto da escola e na minha casa nunca apareceu ninguém.
Minha conclusão é a de que os setores responsáveis não estão comprometidos com a causa, porque não existe plano para adoção de medidas efetivas que evitem a proliferação, tal como diz o manual do Ministério da Saúde: nem captura (busca ativa), manejo ambiental ou um trabalho eficiente de conscientização da população (que deve sim atuar em conjunto, mantendo limpos os espaços, guardando bem os alimentos e não deixando restos de comida expostos ao tempo e ao vento).
Então me pergunto, e essa pergunta também faço para quem lê esse texto e para as autoridades municipais:
- Se não temos um plano de ação na prática (sim, porque no papel, na teoria, pode até ser que exista um), como é possível a Prefeitura, através da Secretaria de Educação, buscar o caminho mais fácil que é o fechamento do prédio da Escola Manoela?
O que isso implica? Alteração da rotina de centenas de crianças, dos seus respectivos pais ou responsáveis, além de, na minha opinião, não garantir a qualidade do conteúdo pedagógico, pois o que as professoras da escola Manoela fazem é digno de aplausos: mesmo com recursos escassos ensinam apaixonadamente, criam atividades do mais alto nível cognitivo e com materiais de baixo custo. Isso porque uma outra escola que já funciona com seus alunos e quadro docente terá que receber os alunos e professores desta que está sendo interditada (para esse final do ano de 2018), pulverizando os alunos em 2019.
E no ano de 2019, caso o prédio seja mesmo descartado como escola, às professoras efetivas restará o “final da fila” na questão da remoção. Elas que galgaram seu espaço por anos a fio como educadoras e escolheram estar ali naquela escola por pontuação e tempo no serviço público municipal (tem uma regra a ser seguida, por isso que cada professor dá aula em determinada escola). Essa escolha reúne todos os professores da rede municipal, que escolhem dentro das suas prerrogativas onde querem lecionar. E as professoras da escola Manoela já são daí efetivas. Somente virá um professor novo quando houver aposentadoria de uma delas, citando tal fato apenas como um exemplo. É, assim, um direito adquirido que corre o risco de ser quebrado diante da incompetência municipal para lidar com escorpiões. É um ataque à vida profissional de cada uma delas. E não podemos nos calar.
Então eu não me calo: só estarei convencida de que a interdição definitiva do prédio da escola Manoela será imperativa quando a Prefeitura provar que tem tomado medidas efetivas de controle dessa praga, por meio de ações orientadas, assertivas e contínuas.
O resto é balela da incompetência dos gestores. Importante ainda mencionar que na reunião recebi a informação de que o Bairro Belvedere apresenta maior incidência do aracnídeo na cidade, baseado nos relatos que chegam ao Poder Público. Isso reforça ainda mais a ausência de medidas emergenciais e contínuas, inclusive de conscientização.
A escola Manoela deve ser respeitada pela sua história. Está sendo jogada fora do modo mais terrível possível: jeito mais fácil, medida paliativa e sem humanidade.
Meu marido mapeou a região através das fotos de satélite do google, imprimiu e vai de casa em casa de acordo com seu tempo livre. Ontem perguntamos a três moradores da mesma rua e todos confirmaram a presença de escorpiões.
Eu quero ações e respostas, além do comprometimento pessoal de manter minha casa limpa, ralos fechados, restos de alimentos no lixo e fechados.
Vamos juntos fazer a nossa parte e cobrar do Poder Público que faça a dele.
#vidaparaescolamanoela 
#advocaciaconstruindojustiças
#eunãomecalo

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